Entrevista com Welington, pré-candidato à Prefeitura de Igarapé

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Casado e pai de dois filhos, Welington, de 44 anos, foi eleito vereador em 2016, e ocupou a presidência da Câmara até fevereiro deste ano, quando decidiu dar início a pré-campanha. Foto: Assessoria.

Vereador de Igarapé e pré-candidato a prefeito fala sobre sua experiência à frente do legislativo, além de ideias e projetos

Na sexta entrevista com pré-candidatos, a Folha Vale do Paraopeba conversou com o vereador Welington Pereira Neto, pré-candidato à Prefeitura de Igarapé pelo Partido dos Trabalhadores Brasileiros (PTB).

Casado e pai de dois filhos, Welington, de 44 anos, foi eleito vereador em 2016, e ocupou a presidência da Câmara até fevereiro deste ano, quando decidiu dar início a pré-campanha.

Formado em educação física, o parlamentar atua como professor na cidade e há 20 anos trabalha como árbitro da federação em jogos de futebol.

Welington confirmou seu pré-candidato a vice-prefeito, o vereador Caio Campos, do Democracia Cristã (DC). E revelou receber apoio do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Durante a entrevista, o pré-candidato fala sobre desemprego, saneamento básico, avalia a atual gestão e comenta sobre projetos para cidade. Confira:

Folha Vale do Paraopeba: Quais foram os projetos que, enquanto vereador e Presidente da Câmara, você participou?

Welington: Foram vários. Mas o vereador só propõe, o executivo quem sanciona. Cito, por exemplo, um projeto de utilização dos espaços públicos para veicular publicidade com objetivo de arrecadar recursos para manutenção dos próprios espaços e para compra de material esportivo para escolas. Essa lei foi aprovada pela Câmara, contudo não foi colocada em prática. Em 2017, descobri que os vereadores aprovaram mais de 200 projetos para alterar nomes de ruas, em muitos casos para agradar alguém. Então elaborei uma lei que torna esse procedimento mais complicado, para tentar evitar essas mudanças. À frente da Câmara, busquei administrar os gastos. Instalei dois bebedouros, substituindo o galão de água que gerava alto custo, e a energia solar fotovoltaica, reduzindo a conta de luz de aproximadamente R$ 2.400, para R$ 84 em média. Um investimento de R$ 72 mil reais, pago pela própria economia que vai gerar. Cortei o lanche antes das reuniões extraordinárias e reajustei os serviços de manutenção do jardim, entre outras coisas. Só em janeiro de 2020, devolvemos R$ 1.439.000 para prefeitura, referente à economia feita em 2019.

FVP: Caso eleito, como imagina assumir a cidade no “pós-pandemia”? Principalmente na questão do desemprego?

Welington: Vai ser um desafio, mas nós temos vários projetos para o desenvolvimento econômico. Queremos exercer um desenvolvimento de dentro pra fora. Hoje, por exemplo, Igarapé compra biscoito de outras cidades para merenda escolar. Aqui não tem ninguém que que faz biscoito? Se não tiver a prefeitura deve disponibilizar aos moradores aptidão para eles fornecerem também esse tipo de produto. Na questão do desemprego, além da agricultura familiar, à qual pretendemos prestar assistência, vamos procurar valorizar os comércios e os cidadãos de Igarapé. Mas não adianta atrair emprego sem mão de obra disponível. A mineradora aqui do lado, após a pandemia, deve contratar. É chegar nessa empresa e perguntar o que precisam. Se eu não tiver, vou buscar meios para capacitar os moradores. Contudo, não estamos falando que não vamos buscar empreendimento de fora. Mas também pra isso precisamos organizar os polos industriais da cidade, além de reduzir a burocracia. Têm pessoas que desanimam construir aqui porque tem projeto que demora três meses para sair da secretaria. Isso não pode ocorrer contra um setor que disponibiliza muitas vagas. No caso da economia local, a prefeitura licita aproximadamente R$ 30 milhões por ano, e os estabelecimentos locais praticamente não participam desses processos. Precisamos rever isso, pois temos também a ideia de implementar o fundo municipal do empreendedor. No qual estamos estudando determinar, por exemplo, que a empresa ganhadora de uma licitação de R$ 100 mil, faça o depósito no fundo municipal de 1% desse valor. Assim teremos recursos para fomentar pequenos negócios locais.

FVP: Quais os problemas que você vê em Igarapé?

Welington: O primeiro é o saneamento básico. E isso parte da concessão feita com a Copasa em 1998, válida por 30 anos, reavaliada em 2001. E o problema desse convênio é não ter metas. Se Copasa esperar até dezembro de 2031 e fazer tudo, ainda estará cumprindo o contrato. Sendo assim, gostaríamos de reformular o contrato e estabelecer metas. Bairro ‘x’ até 2021, bairro ‘y’ até 2022 e assim por diante. Já com o novo marco regulatório do saneamento básico, existe a possibilidade de Igarapé assumir esses serviços, mas nossa primeira tentativa será refazer esse convênio. O transporte público também é um problema sério. O convênio é uma concessão com uma empresa viabilizado pela Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais (Setop-MG), mas o órgão deve entender que as definições de trânsito no município devem ser feitas pelo município. Dependendo da onde você mora em igarapé, se pegar um ônibus via Belo Horizonte são 45 minutos só para chegar na BR 381. Então desejamos conseguir viabilizar um terminal de integração, melhorando o custo e a agilidade do transporte.

FVP: A respeito da atual gestão, como você avalia? Inclusive durante a pandemia.

Welington: Foi um período difícil, impulsionado com atrasos do governo estadual de R$ 20 milhões. Vejo que foi uma administração organizada. Poderia ter sido melhor, diferente em algumas áreas, como por exemplo nas periferias, nos bairros prioritários que sofrem mais. Sobre a pandemia, penso que a cidade poderia ter usado algumas estratégias mais firmes. Por exemplo, a maior indústria que temos é o comércio. E logo no começo fechou tudo, mas agora estamos no Minas Consciente, mais flexível. Se lá no início tivesse um entendimento, poderíamos estar com essa flexibilidade desde o começo, junta às regras sanitárias que praticamos hoje. A prefeitura mesmo montou um comitê para combate à Covid- 19 sem a presença da Câmara, e nós cobramos isso do prefeito. Faltou carinho com a população e uma atitude mais controlada.

FVP: O que você espera das eleições deste ano? Neste cenário de pandemia?

Welington: Há muitos anos não tínhamos aqui mais de dois possíveis candidatos à prefeitura. Isso torna tudo diferente. E neste período de pandemia, o contato corpo a corpo tem sido e precisa ser evitado. Por isso contamos muito com as mídias, com as redes sociais e, claro, com a população. Tanto eu, quanto o Caio, esperamos que o povo faça uma avaliação do nosso tempo como vereador e que a população escute as propostas dos pré-candidatos. Até esclareço logo que o Caio, caso a gente ganhe, vai ocupar a Secretaria do Governo, por que o vice também tem que trabalhar e conhecer a cidade, porém irá receber apenas um salário. Estamos fazendo campanha sem fundo partidário ou dinheiro de empresários. Essa é a utopia que acreditamos. Na hora que os eleitores verem nosso plano de governo saberão o tanto de coisas bacanas que temos.

FVP: O senhor defende alguma bandeira em seus projetos?

Welington: A bandeira é o município. Quando falo de educação, estou envolvendo o social, saúde e o esporte. Como educador, sei que hoje 84% dos problemas que nós temos com a dificuldade de aprendizagem está relacionada à família. Minha equipe e eu desejamos criar “Comunidades Educadoras”. Com profissionais para entender e resolver o que pode estar gerando dificuldade de aprendizagem no estudante. Outra coisa, percebemos que todos equipamentos esportivos e culturais estão no Centro. Por que não podemos levar isso para os bairros mais afastados e aproximar essas atividades dos moradores desses locais? Queremos administrar envolvendo todos os segmentos, não tem como defender bandeira A ou B, uma depende da outra.

FVP: Alguma mensagem final que deseja deixar para os leitores?

Welington: Igarapé não pode ficar do jeito que está, tem que melhorar. Peço aos eleitores que escutem os pré- -candidatos. Não votem apenas por amizade, mesmo que você não simpatize com a pessoa, talvez a proposta seja a melhor para a cidade. Se Deus permitir, não vou medir esforços para ter uma cidade melhor.

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