Exclusivo: entrevista com o pré-candidato à Prefeitura de Igarapé, tenente Sander

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Tenente Sander nasceu em Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha, tem 49 anos, é casado, pai de três filhos e uma filha. Fonte: Arquivo Pessoal.

Militar ressaltou a escassez de estrutura em alguns bairros e falou sobre a falta de opções para o jovem morador da cidade

Dando continuidade à série de entrevistas com pré-candidatos às prefeituras de Igarapé, Betim e São Joaquim de Bicas, a Folha Vale do Paraopeba conversou com o tenente aposentado da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Sander Alves Ramos, pré-candidato à Prefeitura de Igarapé.

Sander nasceu em Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha, tem 49 anos, é casado, pai de três filhos e uma filha. Com 30 anos na Polícia Militar, também possui formação superior em direito, teologia e gestão de segurança pública. Há quatro anos, chegou em Igarapé para coordenar a PMMG.

O tenente confirmou a pré-candidatura pelo Republicanos. Sem vice candidato definido, já conta com o apoio partidário do Podemos. Durante a entrevista, Sander respondeu questões sobre gestão pública, infraestrutura, segurança e educação técnica. Confira:

Folha Vale do Paraopeba: Como está sendo a pré-campanha em Igarapé neste período de pandemia?

Tenente Sander: Minha equipe tem tomado todo cuidado para não gerar aglomerações, mantenho o distanciamento social de 2 metros, em um possível encontro, e utilizando sempre as máscaras. Procuramos realizar as visitas de maneira pontual e também exercer o contato por telefone e rede social.

FVP: Como você enxergar administrar uma cidade pôs pandemia?

Tenente Sander: Trabalhei na PMMG 30 anos, com isso tenho experiência na área de gestão. Recentemente, fizemos uma pesquisa junto à Fundação João Pinheiro, e descobrimos que Igarapé, com 43 mil habitantes, tem apenas 5.800 trabalhando no município. Assim, como há poucas empresas, atrapalha a arrecadação local, e desta forma a cidade fica dependente do Governo Federal e Estadual. Entendo que exista necessidade de trazer empresas para dar condições a própria cidade de se manter. Pretendemos, também, por exemplo, transformar a antiga rodoviária em um mercado central para que seja possível aproveitar o produto desenvolvido pelo agricultor local.

FVP: Quais os problemas que você vê em Igarapé e qual caminho sugere para resolvê-los?

Tenente Sander: Nos últimos três anos, percorri todos os cantos da cidade. Percebi que os governos passados esqueceram dos bairros periféricos, como o Jequitibá, que já tem 52 anos, e todas as ruas seguem sem urbanização. Há uns meses, morreu um garoto que morava em uma dessas regiões diagnosticado com “xistose”, nós não podemos permitir que uma morte tenha como causa uma doença que já foi extinta do país. Eu entendo que tudo funciona em rede, ou seja, se você tem um problema num setor, todos os outros são afetados. Já teve episódio que eu não consegui subir um morro na caminhonete da polícia. Imagina uma ambulância? Falta planejamento diante do crescimento da cidade.

O entrevistado adiciona mais uma conclusão à pergunta:

Tenente Sander: Mais uma coisa. Na cidade não tem escolas técnicas e nem incentivo ao primeiro emprego. Aí, muitas vezes o menor de idade sai do ensino fundamental e no caminho para o ensino médio começa a ser seduzido pelo tráfico. E os professores sofrem muito também. Refletindo sobre isso, nós não só queremos atrair escolas técnicas, mas também trazer um modelo de escola, deixando claro que não é uma escola militar, e sim uma estrutura que seja administrada por militares, porém com professores e profissionais da educação coordenando as atividades disciplinares. E assim esperamos resgatar a autoridade que o professor tinha antigamente.

FVP: Segundo uma pesquisa do Armazen do Sistema Integrado de Defesa Social*, publicado no jornal Estado de Minas, no dia 8 de junho, mesmo em tempos de pandemia o número de homicídios em Igarapé tem aumentado, como o senhor pretende trabalhar na segurança da população?

Tenente Sander: Eu li essa matéria, ela não condiz com a verdade. Eu cheguei na polícia de Igarapé no final de 2016, e tínhamos 23 homicídios. Entreguei o comando em 2020, no mês de março, com 14 homicídios, então na verdade o que houve foi uma redução, inclusive de homicídio, menor nos últimos 12 anos. Em 2019, foi apenas 14 homicídios, esse banco de dados nosso é confirmado pela secretaria de Segurança Pública, eu também posso comprovar** que os números da pesquisa estão errados. E nosso desempenho positivo só é possível com a parceria que temos com os igarapeenses. Hoje há 23 redes de vizinhos em redes sociais, com reuniões pontuais. Lembrando que nunca iremos conseguir um número alto de policiais, devido a situação do Estado, então a solução também é investir em tecnologia. E, recentemente, conseguimos implantar câmeras de olho vivo na cidade, o que foi bem vindo para auxiliar na segurança.

FVP: Outro problema que afeta à população de Igarapé é a falta de um projeto de saneamento básico que alcance todos os cidadãos, como o tenente acredita que isso possa ser resolvido?

Tenente Sander: Sobre o saneamento básico, é necessário que a gente exige da Copasa um melhor cuidado com o município. Porém, agora com este novo marco regulatório do saneamento básico, que permite privatizar o tratamento de água e esgoto, creio que a situação irá melhorar.

FVP: Atualmente, o senhor participa de alguma ação social na cidade?

Tenente Sander: Eu sou presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil. Há 33 anos como evangélico, sigo participando de projetos instituídos pela igreja e na igreja. Em Igarapé, na PMMG, criamos a caserna (quartel) mirim, no momento parado por conta da pandemia, mas irá voltar com certeza. No programa a gente levava crianças de 7 a 12 anos ao pelotão para terem aula com um mestre de Jiu-jítsu. Também criamos a carteirinha do amigo da PM e levávamos uma banda. Assim geramos uma interação com a criançada e mostramos novos modelos de heróis.

FVP: Nesta pré-campanha, como é sua relação com os outros candidatos?

Tenente Sander: Eu já conversei com todos pré-candidatos. A gente tem uma relação muito cordial e queremos levar isso pra política. Queremos uma campanha propositiva e de ideias, sempre respeitando o ser humano.

FVP: Como você acha que anda a administração da cidade nos últimos anos, na gestão atual, principalmente agora nesta pandemia?

Tenente Sander: Esse problema (pandemia) chega a ser de todas as administrações públicas em todo Brasil. Nos últimos anos, o país enfrentou uma crise complicada, o que dificultou a vida dos líderes municipais, federais e estaduais. Sendo assim, o prefeito que lá ocupava e ainda ocupa o cargo enfrenta também essa dificuldade, por isso reforço a necessidade de se ter um planejamento. Devemos fazer uma reserva, nos prevenir, para que essas situações sejam administradas com a menor perda possível. E ele (o prefeito) está tomando algumas decisões que devem ser tomadas, umas surgem efeitos outras não. Graças a Deus, até o momento, não temos nenhum óbito registrado.

Alguma mensagem final que o tenente gostaria de elucidar?

Tenente Sander: Gostaria de ratificar que coloquei meu nome à disposição do partido, e se Deus permitir que a pré-candidatura seja confirmada e posteriormente eu seja eleito, quero ter um cuidado com a coisa pública e escutar a população em todos os lugares e de todas as maneiras possível. Observando sempre, gestão, planejamento desenvolvimento e responsabilidade. Assim, quando estiver permitido oficialmente investir na campanha política, nós iremos disponibilizar ao eleitor um e-book contendo todo nosso planejamento de gestão.

(*) Matéria do Estado de Minas: Mesmo com a COVID-19, homicídios disparam em 46,8% dos municípios de Minas.

(**) Dados utilizados pelo tenente Sander para contestar a pesquisa.

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