Lama já percorreu 100 quilômetros ao longo do rio Paraopeba

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Rio Paraopeba: tribo indígena de São Joaquim de Bicas teme pelo futuro ao ver rio poluído pelos rejeitos de minério. Curso d'água era meio de subsistência da tribo. Foto: Lucas Hallel - Ascom Funai

Secretaria de saúde afirma que contato com a água em alguns trechos gera riscos à saúde

A situação do rio Paraopeba está sendo monitorada 24 horas por órgãos ambientais estaduais e federais. O alerta vem após os rejeitos da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, atingirem o curso d’água no rio, horas depois da tragédia.

Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), a pluma já percorreu cerca de 100 quilômetros e chegou ao município de São José da Varginha, na região Central do Estado.

De acordo com informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), até o dia 29 de janeiro a lama seguia pelo Ribeirão Ferro-Carvão, até desaguar no Rio Paraopeba. Os rejeitos se espalharam por uma área de aproximadamente 290 hectares, o que equivale a cerca de 300 campos de futebol.

A recomendação é não ter contato com o rio, nem ingerir alimentos provenientes dessas águas. Segundo o governo estadual, a água deste corpo hídrico apresenta riscos à saúde humana e animal.

“Diante disso e por segurança à população, os órgãos citados não indicam a utilização da água bruta do Rio Paraopeba para qualquer finalidade, até que a situação seja normalizada. Deve ser respeitada uma área de 100 metros das margens. O contato eventual não causa risco de morte”, informou o governo, por meio de nota.

 

Monitoramento da água

A qualidade da água e dos sedimentos no Rio Paraopeba está em constate monitoramento pelo governo do Estado, em 47 pontos. No total, são 18 estações de monitoramento existentes e outras 29 emergenciais, geridas em conjunto com o Igam, Copasa, CPRM e ANA.

“O monitoramento contemplará parâmetros básicos de qualidade de água (temperatura, oxigênio dissolvido, turbidez e pH), entre outros. A extensão do monitoramento é do local do acidente, percorrendo o Rio Paraopeba à jusante, até o reservatório da Usina Hidrelétrica Três Marias”, informou a Semad, em nota.

Fauna e flora

O trabalho de resgate da fauna impactada tem sido desenvolvido desde o dia do rompimento, por meio de uma equipe técnica do IEF, que atua articulada com entidades dos governos Estadual e Federal. Na ocasião foram determinadas medidas emergenciais relativas ao resgate da fauna silvestre terrestre e aquática.

“Os resgates estão sendo feitos pela Mineradora Vale – conforme determinação prevista em um dos quatro autos de fiscalização lavrados pelo Sisema. O trabalho tem acompanhamento do IEF”, disse a Semad.

O Instituto também tem identificado a área de vegetação suprimida, que está prioritariamente inserida no Bioma Mata Atlântica. Além disso foi iniciado o dimensionamento da quantidade de vegetação afetada, por meio de imagens de satélite. “As informações vão compor um diagnóstico que será usado como parâmetro para as ações de reparação de dano, posteriormente cobradas da mineradora”, destacou.

Municípios

As cidades banhadas pelo rio também têm atuado no monitoramento do curso d’água. Em Betim, equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semmad) têm fiscalizado a ocorrência de dano ambiental ao território municipal ou à população da cidade, às margens do Rio Paraopeba desde a data do ocorrido em Brumadinho. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Ednard Tolomeu, o objetivo é verificar se o solo foi contaminado pela lama de rejeitos despejados no leito do rio por conta do rompimento da barragem da Vale.

“Queremos garantir que sejam feitos os estudos necessários para identificar qual foi o impacto do rompimento e verificar a possibilidade de autuação por danos em Betim. Já estava previsto desde o ano passado em nosso Plano Municipal de Arborização o plantio de mais de 20 mil mudas nas áreas de preservação permanente do rio como forma de protegê-lo, o que faremos a partir de outubro, quando ocorre o período chuvoso”, adianta Ednard.

Já a prefeitura de Juatuba solicitou apoio dos órgãos estaduais na análise da água e antecipou, por precaução, orientações à população quanto ao consumo de peixes e alimentos irrigados pelas águas do rio, bem como a paralisação de todo o modo de captação da água.

Usina Termoelétrica de Juatuba. Foto atual (acima) mostra rio atingido por rejeitos. Abaixo, como era antes. Foto: Prefeitura de Juatuba/ Divulgação.

Conforme a Semad, além da área administrativa da mineradora, foram diretamente atingidos bairros e comunidades próximas, pousadas, áreas de cultivo, pastagens, além de estradas e vias rurais.

Atuam no local equipes de órgãos ambientais do o Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema): Semad, Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Instituto Estadual de Florestas (IEF). A intenção é mapear a extensão do dano à fauna, à flora, aos recursos hídricos e aos ecossistemas em geral.

Além desses órgãos, a Agência Nacional das Águas (ANA) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) também acompanham a situação do rio.

Rejeitos não chegarão a Três Marias

O material da barragem da mina de Córrego do Feijão não chegará ao reservatório da Hidrelétrica de Três Marias. Conforme boletim do CPRM, os rejeitos vão ficar retidos na usina de Retiro de Baixo, em Pompéu. A previsão é que a lama chegue ao local entre os dias 5 e 10 de fevereiro.

 

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