Órgão apura responsabilidade criminal deles no rompimento da barragem em Brumadinho

Oito funcionários da Vale foram presos na última sexta-feira (15), durante operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A ação apura a responsabilidade criminal pelo rompimento da barragem na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro. A tragédia despejou no meio ambiente cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Nesta segunda-feira (18), já haviam sido confirmados 169 mortos e 141 pessoas permaneciam desaparecidas.

No total, foram expedidos 14 mandados, sendo seis de busca e apreensão e oito de prisão temporária. Foram presos: Alexandre de Paula Campanha, Artur Bastos Ribeiro, Cristina Heloíza da Silva Malheiros, Felipe Figueiredo Rocha, Hélio Márcio Lopes da Cerqueira, Joaquim Pedro de Toledo, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo e Renzo Albieri Guimarães Carvalho.

Um dos alvos da operação, Alexandre Campanha, foi apontado por Makoto Namba, engenheiro da Tüv Süd, empresa que atestou a segurança da barragem rompida, como o funcionário que o teria pressionado a assinar o laudo de estabilidade da estrutura. Namba foi preso no fim de janeiro, mas foi solto dias depois.

Dos oito investigados quatro são gerentes da mineradora e quatro integrantes das respectivas equipes técnicas. “Todos são diretamente envolvidos na segurança e estabilidade da Barragem 1, rompida no dia 25 de janeiro”, informou o MPMG, por meio de nota.

A participação dos funcionários da Vale é investigada como homicídio qualificado. Também são apurados crimes ambientais e de falsidade ideológica.
Outros quatro funcionários da Tüv Süd foram alvos de busca e apreensão em São Paulo e em Belo Horizonte, sendo um diretor, um gerente e dois integrantes do corpo técnico da empresa. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede da Vale, no Rio de Janeiro.

Os documentos e provas apreendidos serão encaminhados ao MPMG para análise. “De acordo com os promotores de Justiça, as medidas estão amparadas em elementos concretos colhidos até o momento nas investigações conduzidas pela força-tarefa e são imprescindíveis para a completa apuração dos fatos”, informou o órgão.

Os mandados foram pedidos por intermédio da Promotoria de Justiça de Brumadinho, da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (Gepp), no âmbito de força-tarefa. A operação contou também com o apoio dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro e de São Paulo, por meio dos Gaecos daqueles estados.

Visita à mineradora

No fim de janeiro, a Defesa Civil de Igarapé esteve nas dependências da Morro do Ipê para se certificar das condições de estabilidade das barragens. Um grupo de vereadores de São Joaquim de Bicas participou do encontro. De acordo com o vereador Professor Sidão (PPS) a própria mineradora foi quem fez o convite para a comissão ir até o local.

“Fomos acompanhar para verificar a situação de três barragens no local. A empresa nos informou que duas estão desativadas e uma em processo de desativação”, disse. De acordo com informações divulgadas pela Morro do Ipê, atualmente, a empresa investe na implementação de tecnologia que elimina o uso de barragem de rejeitos e os riscos a ela associados.

 

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