Situação da Vargem das Flores é discutida em audiência pública

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Audiência recebeu representantes da Copasa, além de autoridades municipais e estaduais. Foto: Jonathan Pires.

Especialista afirma que, em caso de rompimento, água chegaria ao Betim Shopping em dois minutos. Copasa atesta segurança da represa e afirmou que vai apresentar, em julho, estudos de impacto em caso desse tipo de incidente

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vai apresentar, até julho deste ano, o Dam Break, estudos de impactos em um possível rompimento da represa Vargem das Flores, popularmente conhecida como Várzea das Flores. A situação da estrutura foi discutida na manhã desta quarta-feira (20), durante audiência pública na Câmara Municipal de Betim, que contou com a presença de representantes da Copasa e autoridades.

De acordo com o gerente da Divisão de Produção da Bacia do Paraopeba, Mauro Diniz, a empresa DAM Engenharia foi contratada em agosto do ano passado e já iniciou as análises para elaboração do relatório. Enquanto isso, Diniz destaca que a empresa faz manutenção periódica dos equipamentos da barragem, além de inspeções frequentes. Esses indicadores, segundo ele, mostram que a estrutura é segura.

“Está tudo dentro dos limites, conforme leituras que fizemos. Esses dados indicam a estabilidade da barragem”, afirmou.

A represa foi construída em meados de 1968 e começou a operar em 1972. À época a legislação ambiental era diferente, por isso, a Copasa não tem licenciamento ambiental para explorar a barragem. No entanto, de acordo com o secretário Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ednard Barbosa, a Companhia já teve tempo suficiente para regularizar a situação, o que ainda não foi feito.

“O licenciamento ambiental define a faixa verde de proteção que vai garantir o não assoreamento da lagoa e a Copasa não tem isso até hoje”, lamentou. Barbosa ressalta que a Secretaria solicitou outros documentos para a empresa no dia 1º de fevereiro, mas que eles ainda não foram apresentados. Alguns deles são: o Formulário de Captação de Empreendimento (FCE), o Formulário de Orientações Básicas (FOB), que é o primeiro e um dos principais documentos do licenciamento ambiental no Estado de Minas, além do laudo de estabilidade e a oficialização de que os estudos de Dam Break serão apresentados em julho.

Possibilidades de rompimento

A barragem Vargem das Flores tem 27 metros de altura e capacidade para receber 44 milhões de metros cúbicos de água. O engenheiro civil e sanitarista Mauro da Costa Val elaborou alguns estudos e cálculos preliminares. Segundo ele, o risco hidrodinâmico da represa é alto, em torno de 50. A título de comparação, ele explica que quando o índice é acima de 7, já há perigo de colapso de estruturas. A barragem possui um dano potencial associado elevado.

Outra constatação do especialista é de que, se a estrutura se romper, a água demoraria em torno de dois minutos para chegar ao Betim Shopping, no bairro Angola, uma distância de aproximadamente sete quilômetros. “Mas isso não é para alarmar a população. Como engenheiros somos treinados para constatar as piores hipóteses e preveni-las”, pontuou.

 

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