Casa Jackeline Oliveira será pioneira no município em cuidado integrado
Nesta sexta-feira (3), Betim dá um passo histórico na proteção, promoção e acolhimento das mulheres. Em iniciativa inédita no município, a prefeitura inaugura a Casa Jackeline Oliveira, a primeira unidade pública de acolhimento para mulheres da cidade. A casa fica localizada na Rua Dr. José Maria Alckmin, 144, Centro.
O novo espaço foi concebido para oferecer um ambiente seguro e acolhedor, onde serão disponibilizados atendimento humanizado, apoio psicológico, assistência jurídica e encaminhamentos para a rede de proteção já existente. A iniciativa visa garantir segurança, fortalecer a autonomia feminina, prevenir novas situações de violência e ampliar o acesso às políticas públicas de proteção e empoderamento.
Para a vice-prefeita e secretária de Assistência Social, Cleusa Lara, a Casa Jackeline nasce para ser um lugar de cuidado e proteção. “Preparamos um espaço para receber cada mulher com o carinho e respeito merecidos, para que possa ter o devido apoio e seguir em frente. A violência tenta calar e enfraquecer, mas aqui a nossa mensagem é outra: nenhuma mulher vai caminhar sozinha. Estamos juntas para garantir segurança, dignidade e a chance de recomeçar.”
FUNCIONAMENTO
O espaço funcionará de forma articulada, ampliando o alcance e a efetividade das ações desenvolvidas. Entre os serviços alocados na Casa Jackeline Oliveira estarão a Patrulha de Proteção à Mulher (PPM) e a Superintendência da Mulher, com apoio jurídico e realização de oficinas de fortalecimento e autonomia.
Também, a casa recebe o Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher (Cream), que realiza acompanhamento psicossocial, encaminhamentos para a rede de proteção, Conselho Tutelar, psicólogos e acolhimento institucional. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher também estará sediado no local.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Os dados mais recentes reforçam a necessidade da iniciativa. Segundo levantamento do Observatório de Segurança Pública da Secretaria Municipal de Segurança Pública de Betim, entre janeiro e agosto de 2025, foram registradas 1.999 vítimas de violência doméstica. Este é o maior índice dos últimos oito anos, representando um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2024. Nesse intervalo, a cidade contabilizou ainda 2 feminicídios consumados, 4 tentativas de feminicídio, 24 estupros consumados e 60 estupros de vulneráveis.
JACKELINE OLIVEIRA
Jackeline Oliveira foi mais uma vítima da violência contra a mulher, uma história de vida interrompida de forma trágica, marcada por dedicação e luta por justiça. Aos 21 anos, a jovem betinense foi assassinada pelo ex-namorado aos 21 anos, no Dia das Mães de 1994.
Jackeline foi morta a tiros dentro de um carro em Betim. Por insistência da família, o crime teve repercussão nacional e se consolidou como um marco na luta contra a violência de gênero em Betim. Mais de três décadas depois, Jackeline permanece viva na memória da cidade, símbolo da resistência contra o feminicídio.

