Tentativas de suicídio e uso de remédios controlados em Brumadinho aumentam após tragédia

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Foto: Reprodução/ Internet.

Secretaria municipal de Saúde precisou fortalecer o atendimento em saúde mental

O rompimento da barragem B1, da Vale, na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, completa oito meses no próximo dia 25 de setembro. Além de provocar a morte de 270 pessoas, danos ambientais e ter afetado bruscamente a economia e a rotina do município, agora, outra área também está sendo impactada: a saúde mental dos moradores da cidade.

De acordo com dados da secretaria municipal de Saúde divulgados na segunda semana de setembro, o número de tentativas de suicídio entre janeiro e junho aumentou 30% na comparação com o mesmo período em 2018. Foram 30 tentativas no ano passado, contra 39 em 2019.

A prescrição de antidepressivos e ansiolíticos também aumentou, comparado ao consumo mensal de julho de 2018 a junho de 2019. Em uma lista de 42 medicamentos psiquiátricos (os psicofármacos), apenas cinco não apresentaram elevação de prescrição. Alguns chegam a ter aumento de 94%, como o lorazepam, ou 89%, como o risperidona.

“Depois da tragédia nosso sistema de saúde tem passado por um momento de desequilíbrio devido a forte tendência de adoecimento mental em toda a população”, comentou o secretário de Saúde de Brumadinho, Júnio Araújo Alves.

A saúde mental fragilizada acaba gerando outros problemas. “As consequências disso são o aumento do adoecimento, não só estresse, ansiedade ou depressão, mas fazendo com que a imunidade diminua e as pessoas adquiram infecções, problemas cardíacos, hipertensão, entre outros, como uma secundária do problema principal”, completa.

Aumento na estrutura

De acordo com Alves, após a tragédia o município recebeu do Ministério da Saúde três equipes de matriciamento em saúde mental, cada uma composta por: psicólogo, psiquiatra, assistente social e terapeuta ocupacional. “Essas equipes são autorizadas para municípios acima de 100 mil habitantes. Mas por conta da situação de Brumadinho conseguimos a liberação do Ministério”, explica.

Já o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) teve o credenciamento elevado de 1 para 2, o que representa capacidade de prestar mais atendimentos. O município também criou mais um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), que presta atendimentos primários na saúde.