Apesar da decisão do Estado, Betim prorrogar restrições da Onda Roxa até 21 de abril

0
545
"Pela primeira vez em toda a pandemia acho um pouco apressado retornar à Onda Vermelha porque a situação ainda é grave", disse Vittorio Medioli, durante um live, nas redes sociais (Imagem da avenida Amazonas, no Centro de Betim). Foto: PMB/ Divulgação.

Cidade está relacionada com outras da Grande BH que avançaram para Onda Vermelha; São Joaquim de Bicas e Igarapé decidiram acompanhar o Governo de MG

Na manhã de ontem (15), foi anunciado pelo governo de Minas Gerais que as macrorregiões de Saúde Norte, Sul, Sudeste e Jequitinhonha e as microrregiões de Betim, Belo Horizonte/Nova Lima/Caeté, Vespasiano, Contagem, Curvelo e Manhuaçu estavam autorizadas a avançar para a Onda Vermelha do plano Minas Consciente.

Além de Betim, que nomeia a microrregião, também faz parte desse recorte São Joaquim de Bicas, Igarapé, Juatuba, Mário Campos, Brumadinho, Bonfim, Crucilândia, Esmeraldas, Florestal, Mateus Leme, Moeda, Piedade das Gerais e Rio Manso. A decisão, tomada nessa quinta-feira (15), pelo Comitê Extraordinário Covid-19, passa a valer a partir do próximo sábado (17).

Mesmo estando autorizada a aderir à Onda Vermelha, o Prefeito de Betim, Vittorio Medioli (PSD), anunciou, ainda na noite dessa quinta-feira, a prorrogação do decreto que estabelece medidas restritivas contra a Covid-19 na cidade até 21 de abril. As prefeituras de Igarapé e São Joaquim de Bicas confirmaram que irão acompanhar a decisão do governo estadual.

“Pela primeira vez em toda a pandemia acho um pouco apressado retornar à Onda Vermelha porque a situação ainda é grave. Houve um recuo, sim, mas essas variantes são muito mais agressivas, então não podemos, neste momento, arriscar voltar ao momento mais crítico. Enquanto as pessoas não forem vacinadas, a letalidade é provável até para os mais jovens. É por isso que estou convencido de que precisamos segurar mais alguns dias”, destacou Medioli.

Justificativa

De acordo com o comitê, MG registrou aumento de 4,01% no número de casos e 6,81% nos de óbitos, o que justifica a progressão de onda apenas nas regiões que apresentaram melhores resultados na incidência da doença e na ocupação dos leitos.

“Obtivemos melhorias de indicadores, o que possibilitou as decisões técnicas por parte da Secretaria de Saúde. Mas é preciso lembrar que estamos longe de ter conforto. Ainda temos um sistema hospitalar sobrecarregado, os profissionais de Saúde estão cansados e as vagas são poucas. Por isso precisamos tomar todos os cuidados para evitar a transmissão do vírus”, afirma o governador Romeu Zema (Novo).

Onda Vermelha

A partir de agora, as cidades que estão na Onda Vermelha poderão permitir a reabertura de comércios não essenciais, como espaços com eventos culturais ou naturais, como parques, bares e restaurantes, quadras esportivas, academias e clubes recreativos. Também é permitido eventos com até 30 pessoas, desde que tenha distanciamento de 3 metros entre os presentes. As igrejas e templos religiosos também podem funcionar, além de hotéis e pousadas com capacidade de 50%.

Vale lembrar que dentro da faixa vermelha, os prefeitos têm o poder de autorizar o fechamento ou abertura como acharem melhor, diante da realidade da pandemia. Por isso, é importante que a população siga as regras sanitárias, como lavar bem as mãos e usar a máscara o tempo todo, e não esquecer de manter o distanciamento social. Os estabelecimentos que abrirem as portas também devem se comprometer com as medidas de segurança à saúde.

Na fase roxa, bares e restaurantes funcionam com medidas específicas, sem permissão de venda de bebida alcoólica. Shoppings, academias, salões de beleza, lojas de roupas, parques e shows artísticos não eram permitidos.

Kit Intubação

Segundo o secretário de Estado de Saúde, o médico Fábio Baccheretti, apesar da incidência da doença em algumas macrorregiões seguir alta, por isso a necessidade da onda roxa, já é possível sentir o impacto das medidas mais duras em outros locais.

“Em algumas regiões, qualquer variação no número de casos pressiona o sistema de saúde. Mas a progressão decidida pelo Comitê leva em consideração a chegada de sedativos do kit intubação, o que nos dá uma melhor perspectiva no atendimento”, destaca o secretário.

Apesar da fala de Fábio, em Betim, a Secretaria Municipal de Saúde informou, um dia antes (14/04), que até essa data, a situação do estoque dos medicamentos que compõem o kit intubação era crítica. “Ao todo, são 17 medicamentos que podem ser utilizados nesse procedimento. Desses, a situação mais grave é de dois que têm estoque para mais quatro dias e outros dois com estoque para sete”, informou a pasta, em nota.

Ainda de acordo com a secretaria, o executivo municipal, última quinta-feira (15) não obteve retorno do Governo de MG sobre o fornecimento dos medicamentos e está buscando outros meios para garantir o estoque e evitar faltas.

Os últimos dados da Secretaria Municipal de Saúde disponibilizados ontem informam que a cidade registrava 23.796 casos de Covid-19. A respeito deste total, 22.209 pessoas já se recuperaram e 687 seguem em acompanhamento. O município fecha a primeira quinzena de abril com a marca de 789 vítimas fatais do novo coronavírus.