Betim abre novos leitos para tratamento de Covid-19

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Nos próximos dias, a cidade terá 90 leitos de CTI e 75 para atendimento clínico de coronavírus

Como reforço ao combate à pandemia de Covid-19, a Prefeitura de Betim anunciou mais 50 leitos para o tratamento de coronavírus. Desse total, 25 já haviam sido ativados em 8 de março, e no dia de ontem (15) o executivo municipal confirmou a outra metade. Todos os novos leitos estarão à disposição até o fim desta semana, segundo informou a administração municipal.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que o processo irá ocorrer de forma gradativa, tanto no Centro de Cuidados Intensivos (Cecovid4), no Centro Marteno-Infantil, como também no hospital de campanha (Cevovid2).

O Cecovid4, que contém capacidade instalada para 100 leitos de UTI e, atualmente, trabalha com 76 funcionando, com a nova abertura disponibilizará 90 leitos de CTI ativos. Já o Cecovid2, com capacidade de 115 leitos clínicos e cinco de UTI, ampliou nos últimos dias para 50 leitos clínicos, com a nova ampliação chegará a 75.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de ocupação de leitos para tratamento de coronavírus, até 12 de março, somando as instalações dos dois centros de tratamento da doença, em relação aos leitos clínicos, com 115 instalados e 60 ativos, é de 59 leitos ocupados. A respeito do de UTI, com 105 instalados, e 76 ativos, são 74 pacientes internados nesses leitos.

Até a tarde desta terça-feira (16), Betim havia alcançado o número de 19.192 pessoas contaminadas por Covid- 19, desse total 17.984 já se recuperaram, 608 estão em acompanhamento e 532 pessoas já tiveram a vida perdida em decorrência da doença.

Apesar da ampliação no tratamento, Vittorio Medioli (PSD) explicou que a aquisição de mais leitos também depende do credenciamento do governo do Estado. “Infelizmente, a rede hospitalar pública de Betim, que atende a toda a microrregião de saúde, que abrange outros 12 municípios, cerca de 800 mil pessoas, vem sofrendo um esgotamento. A abertura dos novos leitos é necessária, mas, para isso, dependemos de credenciamento de novos leitos pelo Governo de Minas e do repasse de recursos, uma vez que o município não tem condições financeiras de arcar com a operacionalização sozinho”.

Informações da administração municipal afirmaram que, no mês passado, 30 leitos de UTI foram descredenciados, e, sem esse credenciamento, todos foram fechados. “Betim tem toda estrutura, inclusive respiradores, para abrir mais leitos, mas depende do credenciamento do Estado,” enfatizou Medioli.

Segundo informações, a prefeitura cobra R$ 112 milhões em repasses atrasados, referentes a área de saúde, ao Governo de Minas Gerais, em referência ao período de 2018 a 2020. Todo esse valor é em relação aos programas como ProHosp, Rede Cegonha, Rede de Urgência e Emergência, SAMU 192, convênio e outros de responsabilidade de financiamento estadual.

A Secretaria de Saúde Municipal ressaltou que esses atrasos afetam diretamente a efetivação do Plano de Enfrentamento ao Combate à Pandemia da Covid-19 no município, podendo impedir a abertura de novos leitos, além dos já anunciados, caso seja necessário.

Ampliação no Atendimento

Abertura de novos espaços para o tratamento da doença ocorre em diversos lugares de Minas Gerais e Brasil após o aumento no número de casos e mortes. Só em Betim, nos últimos 4 meses, a média de contágio e mortes sofreu uma forte elevação. Segundo os dados da prefeitura, em novembro de 2020, 7.489 pessoas foram contaminadas pela Covid-19 e 17 morreram; em dezembro, 9.448 tiveram o diagnóstico para a doença confirmado e 78 foram a óbitos.

Já em janeiro deste ano, os números sofreram um salto assustador, com 12.620 pessoas confirmadas com novos casos de coronavírus, resultando em 81 mortes somente no primeiro mês de 2021. Já em fevereiro, os casos confirmados foram 8.376 e 68 mortes, contudo esse último dado ainda está sendo encerrado pelo Setor de Vigilância Epidemiológica, o que pode fazer com que ele aumente um pouco mais.

Para o secretário municipal adjunto de Saúde, Dr. Hilton Soares, os novos casos são mais graves e demandam mais tempo de internação dos pacientes. Ele também destaca que o perfil de contaminados vem sofrendo alteração em relação a 2020.

“O cenário hoje é extremamente preocupante, estamos com o foco na questão do risco de colapso da rede de assistência, em função ao aumento no número de casos, que estão cada vez mais graves, demandando tempo maior de internação, e com isso a rotatividade dos leitos diminui. Além disso, esses novos pacientes estão chegando com perfil diferente do ano passado. Agora as pessoas mais jovens e até mesmo crianças são acometidas”, comenta Hilton.

Novas Regras

A Prefeitura de Betim publicou em 5 de março o decreto de número 42.563, anunciando a prorrogação, até 30 de março, da suspensão de atividades culturais e de eventos com público superior a 24 pessoas.

O documento também determina a redução de uma hora no funcionamento dos serviços não essenciais. Sendo assim, os comércios da cidade devem funcionar de 10h às 16h e os shoppings de 11h às 20h. Os bares, restaurantes e lanchonetes só podem abrir as portas entre às 10h até às 20h.

O texto também alerta para que estabelecimentos, essenciais e não essenciais, cumpram as regras de prevenção à Covid-19, como distanciamento seguro entre pessoas, uso obrigatório de máscara pelos funcionários e clientes e a higienização das mãos.

Instituições de ensino, academias, igrejas, feira shop, dentre outras, poderão funcionar com normas diferentes das estabelecidas no documento, desde que cumpram medidas de biossegurança e outras previstas no artigo 7º do decreto 42.082, de abril de 2020.

As atividades essenciais, como hospitais, clínicas, farmácias, supermercados e padarias seguem com funcionamento normal, desde que respeitem as medidas de segurança estabelecidas.

O secretário adjunto de Saúde aproveita para pedir à população que, apesar do cansaço de toda a pandemia, continue seguindo as normas de segurança e higienização.

“Não podemos afrouxar nos cuidados neste momento. Sei que está todo mundo cansado, os trabalhadores da saúde, e a população também. Muita gente sendo muito acometido do ponto de vista até emocional e mentalmente, mas temos que lembrar que a vida vem primeiro lugar, então vamos continuar com toda biossegurança, o uso de máscaras, evitar aglomerações e sempre que possível lavar as mãos com sabão ou álcool 70%. Apesar do cansaço, é segurar mais um pouco e ser otimista, porque a fase está pior que a do ano passado”, finaliza Hilton.