Infectologista cooperado da Unimed-BH e integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte, Estevão Urbano. Foto: Arquivo Pessoal.

Nos primeiros dias de abril, o país bateu o recorde diário de número de óbitos pela doença respiratória

Um ano depois da pandemia começar no Brasil, em março de 2020, o índice de casos confirmados de Covid-19 por dia e o número de mortos têm alcançado números alarmantes.

Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, em 6 de abril, o país bateu o recorde com 4.195 óbitos por Covid-19 em um só dia – uma morte a cada 20 segundos. Dois dias depois (8/04), o número aumentou para 4.249. Nessa mesma data, o país somava 345.024 brasileiros que perderam a vida em razão da doença respiratória.

Na última segunda-feira (12), 1.738 óbitos foram registrados em todo país, com 355.031 óbitos desde o início da pandemia em todo o Brasil. Como consequência, a média móvel de mortes no território nacional, entre 6 e 12 de abril, bateu recorde chegando a 3.125, a pior já registrada. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa, que monitora a pandemia no Brasil, a partir de dados disponibilizados pelas secretarias estaduais de Saúde.

Diante dos números preocupantes, entrevistamos o infectologista cooperado da Unimed-BH e integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte, Estevão Urbano, para responder sobre o aumento de casos dos últimos dias e como conter essa alta registrada de vítimas fatais.

Folha Vale do Paraopeba: A respeito do aumento considerável de mortes por Covid-19, o que o doutor acredita que deve ser feito?

Dr. Estevão Urbano: Neste momento temos medidas a curto prazo, que é a população desmobilizar, ou seja, ficar em casa, não se aglomerar. O vírus não pode circular para não contagiar mais pessoas. Como consequência, evitaremos mais mortes daqueles que se infectaram, pois, a disposição de leitos de UTI e enfermarias aumenta, contudo, há um limite, já que a logística e os recursos humanos em algum momento pode ser afetada. Já a médio prazo, seria a vacinação na maioria das pessoas, para que assim a gente chegue logo na imunidade de rebanho. Enquanto isso não ocorre, temos que torcer para que saia algum tratamento eficaz, pois o tratamento precoce não funciona, e o outro, do qual o paciente é hospitalizado e aguarda por recuperação, tem tido um resultado razoável sobre o quadro clínico dos pacientes com coronavírus.

FVP: A média atual em relação aos casos confirmados e mortes pelo novo coronavírus é maior que há um ano, o que deveria ter sido feito de fato como combate a proliferação desse vírus? E qual é o motivo para que tantas pessoas tenham sido contaminadas nos últimos meses?

Dr. Estevão Urbano: Nós deixamos o vírus circular e não fizemos nossa parte. Isso também se deve a forma como o país tratou a pandemia, desrespeitando a Covid-19. Então, a partir do momento que subestimamos a capacidade dessa doença, o vírus circulou, se multiplicou e teve uma mutação que gerou uma variante altamente transmissível e agressiva, responsável por causar todo esse caos recente. O motivo para tantos casos é a altíssima transmissibilidade da nova variante e uma adesão de algumas pessoas, uma parcela de 30 ou 40%, que continua sem acreditar na agressividade dessa doença.

FVP: O uso das máscaras ainda continua sendo algo relevante para conter o vírus? Há algum modelo melhor que o outro no mercado?

Dr. Estevão Urbano: A máscara é de longe a melhor forma de se evitar a transmissão, quando não for possível efetuar o distanciamento. A máscara de algodão, com camada dupla, é a de tecido que tem melhor eficácia contra a transmissão. Depois vem a máscara cirúrgica, com um ótimo poder de eficácia também. Porém, a N95 é superior à essas duas, mas obviamente temos o problema da disponibilidade, se todo mundo for procurar por ela, os profissionais de saúde ficarão sem para trabalharem. A máscara tem que ser usada de forma justa ao rosto, sem ficar frouxa. Para a de pano e a cirúrgica, o ideal é que sejam trocadas a cada quatro horas, e é importante evitar tocar a máscara com os dedos, caso seja necessário, é preciso higienizar as mãos antes.

FVP: Enquanto a vacina não é distribuída na velocidade ideal para população, quais são as melhores maneiras de combater o vírus?

Dr. Estevão Urbano: O momento é absolutamente crítico, as pessoas correm um risco alto de pegar a Covid-19, porque a taxa de transmissão está altíssima. E quem pega a doença de forma grave corre o risco de ficar sem leitos de UTI. Então a melhor maneira de não se contaminar é praticar o distanciamento, sair só se for muito essencial. E ao sair, evitar aglomerações e voltar o mais rápido para a casa, usando a máscara o tempo todo que estiver fora.

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