Infectologista tira dúvidas sobre higienização para evitar transmissão do covid-19

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Cuidados com a higiene são essenciais para que o novo coronavírus não ganhe força. Foto: Pixabay/ Reprodução.

Segundo o especialista, a melhor forma de não contribuir com a proliferação do coronavírus é ficar em casa, além das medidas de limpeza

A pandemia declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a respeito da propagação do covid-19, o novo coronavírus, alterou a rotina das pessoas em todo planeta.

Muitos países, inclusive o Brasil, adotaram o regime de quarentena, a fim de evitar que o vírus contamine mais pessoas, sobretudo as do grupo de risco, como idosos, pessoas com pressão alta, problemas respiratórios e afins. Além disso, cuidados com a higiene são essenciais para que o novo coronavírus não ganhe força.

A fim de esclarecer dúvidas dos leitores, a Folha Vale do Paraopeba entrevistou o médico especialista em infectologia, cooperado da Unimed-BH, Frederico Figueiredo Amâncio, para responder algumas perguntas sobre como evitar se contaminar e/ou transmitir a doença para outras pessoas. Confira:

FVP – Como as pessoas devem se manter seguras em casa, evitando contaminar moradores da mesma residência com o vírus?

Dr. Frederico – Os pacientes com sintomas gripais devem ficar em quarto individual e bem ventilado. Caso não seja possível, manter distância de pelo menos 1 metro dos outros familiares. O paciente e as pessoas próximas devem usar máscara cirúrgica quando estiverem no mesmo ambiente. As máscaras não devem ser tocadas ou manuseadas durante o uso. Somente trocá-la se ficar molhada ou suja com secreções. Quando for fazer higiene das mãos com água e sabão, utilizar, preferencialmente, toalhas de papel descartáveis para secar as mãos. Idosos não devem ter contato com pacientes com sintomas gripais ou de resfriado. Crianças, apesar de serem de baixo risco para formas graves, devem ser orientadas para evitar contato com pacientes idosos para evitar transmissão.

FVP – Como a escassez de álcool 70% em gel ou líquido, o que podemos utilizar para substituir esse produto na higienização do ambiente e das mãos?

Dr. Frederico – Podemos lavar as mãos com água e sabão durante 20 segundos. Devemos ter o cuidado de limpar e desinfetar as superfícies frequentemente mais tocadas, como mesas, cabeceiras de camas e outros móveis do quarto do paciente e limpar as superfícies do banheiro pelo menos uma vez ao dia com desinfetante doméstico comum.

FVP – Há pessoas nas redes sociais compartilhando receitas de produtos a fim de criar algum “material” que possa ser usado também na higienização. Qual a opinião do doutor sobre isso?

Dr. Frederico – Produtos artesanais, além de não terem eficácia comprovada, podem colocar em risco a saúde de quem usa. Água e sabão é barato e tem excelente eficácia.

FVP – Quais procedimentos devemos adotar para evitar a transmissão e contaminação do covid-19, o coronavírus?

Dr. Frederico – Fazendo coisas básicas no dia a dia, como evitar aglomerações, cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir, manter os ambientes bem ventilados e não compartilhar objetos pessoais.

FVP – Para as pessoas que precisam ainda sair de casa, por meio de transporte público ou carro particular, quais os cuidados que elas devem seguir?

Dr. Frederico – Avalie sempre se é necessário mesmo sair de casa. O uso de máscaras está indicado para pessoas com sintomas. Permaneça o menor tempo possível em ambientes com aglomerações, evite tocar a mão na boca ou nos olhos, lave com frequência as mãos. Ao chegar em casa sempre lave as mãos. Pessoas com mais de 60 anos e aquelas com doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares têm maior risco. Estes não devem viajar, nem frequentar cinemas, shoppings, shows e outros locais com aglomerações. A orientação é ficar em casa.

Por fim, Frederico Figueiredo salientou a respeito das atitudes impostas pelas instituições de saúde diante da pandemia. “Todas as medidas atuais de isolamento e quarentena são medidas para evitar uma explosão do número de casos nas próximas semanas. Por enquanto, o melhor remédio é a prevenção. Ainda não temos medicamentos com eficácia comprovada”.