Militares torturados e baleados em Igarapé já estão conscientes

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No total, seis homens participaram do crime. O último foi preso um dia (7 de janeiro) depois, em Belo Horizonte. Foto: Governo de MG/Youtube/Reprodução + Raiana Rodrigues/Facebook/Reprodução

O coronel Alex e a cabo Raiana foram vítimas da crueldade de assaltantes que invadiram o sítio onde moram

O coronel reformado Alex de Melo, de 50 anos, e a cabo Raiana Figueiredo, 34, esposa do coronel, estão melhores desde que foram internados no Hospital João XXIII, no dia 6 de janeiro, em Belo Horizonte, depois de serem torturados por quase duas horas, em Igarapé.

Segundo a Polícia Militar (PM), em um boletim emitido no dia 15 de janeiro, o coronel Alex passou por uma cirurgia bem-sucedida no dia 14 para correção de fístula. Ele está acordado e não vaza mais liquor – liquido cefalorraquidiano. Alex foi atingido com tiros na face, o que fez com que o militar perdesse a visão de um olho.

Após fazer uma tomografia, o militar poderá ser transferido para uma unidade Hospitalar da Polícia Militar (HPM), desde que o resultado esclareça que não há risco de sequela neurológica. Outras cirurgias devem ser efetivadas, como a da reconstrução da mandíbula do coronel.

A cabo Raiana deu entrada no hospital com o estado de saúde mais grave. A militar levou dois tiros na cabeça e um nas costas, e apresentava lesões na região do tronco. Depois de passar por cirurgia, a cabo foi estabilizada, mas já está consciente. “Raiana foi transferida ontem (14) do Centro de Terapia Intensiva (CTI) para a enfermaria. Se alimentou de comida normal. Está totalmente consciente e falando. Ela poderá ser transferida para a rede credenciada nas próximas 48 horas”, afirmou a corporação.

No total, seis homens participaram do crime. As investigações seguem com a Polícia Civil (PC), que estão trabalhando com a hipótese de a quadrilha ser formada por mais membros.

O CRIME

Durante uma coletiva de imprensa, o coronel Olímpio Garcia Pereira Jr., comandante de Policiamento Especializado, revelou que logo depois de descobrirem que as vítimas eram militares, os assaltantes começaram as agressões. “Um dos presos confessou que eles começaram a agredir por que os dois (o coronel e a cabo) eram militares. Em Minas Gerais a gente não admite isso, a resposta é proporcional à agressão a qualquer funcionário do estado”, disse o coronel.

O coronel Eduardo Felisberto, comandante da 2ª Região de Polícia Militar, esclareceu que por volta de 22h20, do dia 5 de janeiro, alguns homens invadiram uma casa, no bairro Ouro Verde, em Igarapé. Quando os criminosos viram que se tratavam de policias, iniciaram atos de tortura e dispararam com arma de fogo na cabeça dos dois. “Logo depois eles evadiram o local, imaginando que os militares estavam mortos”, revelou Eduardo.

Então, por volta de meia-noite, os suspeitos saíram da propriedade com o carro das vítimas, e logo em seguida, colocaram fogo no veículo e o abandonaram em uma estrada de terra que dá acesso a BR 381. Os celulares dos militares foram levados pelos bandidos e encontrados pela polícia à beira da rodovia.

O coronel Alex, mesmo baleado conseguiu andar por 500 metros e pedir socorro a um vizinho. Ao ser acionada, a Polícia Militar deslocou para o local o helicóptero da corporação, Pegasus, socorrendo as vítimas que foram encaminhadas para o hospital João XXIII.

Logo na manhã do dia 6 de janeiro, foi instaurada uma força tarefa composta pelo Ministério Público (MP), Polícia Civil, Polícia Militar (PM), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), a fim de prender os responsáveis.

E a partir de uma informação da PRF, sobre o veículo dos suspeitos passarem pela BR 381, em Betim, se iniciou os trabalhos.

“Nós (a Polícia Militar) deslocamos as viaturas para região indicada por meio do nosso serviço de informação. Chegando lá, o primeiro suspeito abordado se entregou. A partir dele, conseguimos identificar o local em que os outros criminosos estavam. No momento em que as viaturas chegaram na região prevista pelo primeiro suspeito, foram recebidas a tiros”, ressaltou o coronel Olímpio.

Na casa estavam quatro homens. Um fugiu e três morreram ao entraram em confronto contra a corporação. O indivíduo que inicialmente teria fugido, acabou sendo preso. No local, diversos cartões bancários foram encontrados e três armas foram aprendidas.

Os suspeitos mortos durante a ação foram Edson José da Silva Jr, 22 anos; Luiz Gustavo Reiner dos Santos Figueiredo, 19, e Taysson Gustavo Gomes da Silva, 18. Já os que foram presos são: Diego Mateus de Oliveira Santana, 23 e Wendel Oliveira Silva Rodrigues, 22.

Durante as investigações, um sexto elemento foi encontrado. Wendel Figueiredo da silva, 18, foi localizado depois de denúncia anônima. Com ele estava o carro utilizado pelos criminosos para efetuar a fuga. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos que foram presos irão responder por tentativa de latrocínio e associação criminosa.