Presidiários trabalham na produção de cigarros de palha e produzem cerca de 40 mil unidades por dia

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Todos detentos envolvidos trabalham das 7h30 até às 16h30, sendo remunerados com 3/4 de um salário mínimo, dividido em partes iguais entre o interno, a unidade e uma poupança que será sacada pelo custodiado quando ganhar liberdade. Foto: Divulgação/Sejusp.

Detentos do Presídio de São Joaquim de Bicas I operam no processo artesanal para a Backwood Palheiro Tabacaria, da cidade vizinha Igarapé

“O serviço demonstrou para mim que posso sair daqui e abrir um negócio na área”, disse um dos detentos do Presídio de São Joaquim de Bicas I, que trabalha no processo artesanal de cigarro de palha para a Backwood Palheiro Tabacaria, da cidade vizinha Igarapé.

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a linha de montagem desse produto teve início em fevereiro deste ano, com cerca de dez presos. Atualmente, a produção conta com 70 homens produzindo, em média, 35 a 40 mil cigarros por dia.

A Sejusp destaca que todos detentos envolvidos trabalham das 7h30 até às 16h30, sendo remunerados com 3/4 de um salário mínimo, dividido em partes iguais entre o interno, a unidade e uma poupança que será sacada pelo custodiado quando ganhar liberdade. “Além de uma remição de pena, pois a cada três dias trabalhados, um é subtraído da condenação”, explica a secretaria, em nota.

Detentos trabalha no processo artesanal de cigarro de palha para a Backwood Palheiro Tabacaria, da cidade vizinha Igarapé. Foto: Divulgação/Sejusp.

O presidiário Ricardo Alves, de 39 anos, está na produção do cigarro de palha desde o começo, e pensa em montar um negócio próprio quando estiver em liberdade. “O serviço demonstrou que posso sair daqui e abrir um negócio na área. Mesmo para alguém egresso do sistema, não é muito caro adquirir uma fábrica legalizada. Essa é uma das prioridades em aplicar o dinheiro que recebo, além de ajudar minha família, porque tenho filho pequeno”, destaca.

O órgão estadual de segurança ainda esclarece que os procedimentos de produção do produto – feito de palha e tabaco – ocorrem de forma manual, exceto a fase de enchimento, que conta com uma máquina criada pela própria empresa. “Os custodiados trabalham na unidade prisional, em um galpão, onde funcionava a cozinha antes de as refeições serem terceirizadas. Eles são escoltados por policiais penais, enquanto estão na oficina, e acompanhados de perto pelos empregadores”, enfatiza a Sejusp.

Vantagens

Segundo o diretor do presídio, Ricardo Pereira, “o trabalho prisional somente traz benefícios aos presos, que aprendem uma profissão, ganham nova experiência, são capacitados, e o principal: deixam a ociosidade – o que só favorece, tanto psicologicamente, quanto financeiramente”, explica.

E acrescenta pontuando que a rotina da Polícia Penal também se tornou mais fácil. “O comportamento dos recuperados melhora e as faltas disciplinares diminuem drasticamente, pois eles não têm tempo para pensar em situações que possam causar dificuldades à convivência no ambiente prisional”, expõe.