Vale vai efetuar o pagamento emergencial por mais 60 dias

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Tragédia-crime provocada pelo rompimento de barragem da Vale em Brumadinho, em janeiro de 2019. Foto: Vinícius Mendonça/ Ibama.

Após esse período, o auxílio será substituído pelo Programa de Transferência de Renda (PTR)

Foi estendido por mais dois meses o pagamento emergencial para as pessoas atingidas pelo lama de rejeitos de minério da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, de acordo com a solicitação realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) e Ministério Público Federal (MPF).

A decisão foi homologada pela justiça em 25 de agosto. Com isso, a Vale seguirá efetuando o pagamento nos mesmos moldes atuais por mais 60 dias, a contar desde 31 do último mês.

Após esse período, o auxílio será substituído pelo Programa de Transferência de Renda (PTR), previsto no Acordo Judicial de Reparação assinado em fevereiro entre a Vale, o Governo de Minas Gerais e as Instituições de Justiça em cerca de R$ 37,8 bilhões.

Para execução do PTR a parcela desse montante será de R$ 4,4 bilhões. Sendo assim, quando o período de transição se encerrar o valor será depositado em juízo, deduzidos os valores dos pagamentos emergências e custos operacionais a partir de junho de 2021.

O motivo para que houvesse a prorrogação do pagamento emergencial realizado pela Vale, com prazo até agosto, dentro dos termos do Acordo Judicial de Reparação, foi requerido uma vez que, até então, não havia conclusão do procedimento de contratação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), empresa que fará a gestão do Programa de Transferência de Renda como auxiliar do Juízo, conforme estabelecido no acordo judicial.

Em nota publicada no site oficial, a mineradora afirma o compromisso com a transição da forma de pagamento.

Brumadinho: 261º vítima é identificada

Mais uma das 270 vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho foi identificada pela perícia da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em 25 de agosto. A pessoa reconhecida, pela arcada dentária, trata-se de Juliana Creizimar de Resende Silva.

Ela tinha 33 anos e trabalhava na mineradora com o marido, Denis Silva, também vítima do crime socioambiental, sendo identificado em 2019. Juliana era analista operacional e ele técnico em planejamento e controle. Os dois tinham acabado de ter gêmeos. Atualmente as crianças são cuidadas pelos avós e pela tia Josiana Resende, irmã da Juliana.

Com esse novo fato, fica registrado que 261 vítimas já foram localizadas e identificadas pelas equipes do CBMMG e PCMG. Agora, 9 joias – maneira carinhosa como os bombeiros e familiares denominaram as vítimas – estão desaparecidas.

“Por volta de 950 dias de trabalho na busca por vítimas da barragem, o CBMMG continua a demonstrar eficácia e compromisso, que por meio da aplicação de modelos preditivos e matemáticos, utilização de equipamentos de ponta e de estratégias implementadas pela corporação, segue na garantia da dignidade e respeito aos envolvidos na tragédia, com a maior operação de busca e salvamento das Américas”, disse os bombeiros, em nota.

Localização

O corpo da vítima foi localizado (24/08) na região do Remanso 1, do lado direito, próximo a comunidade de Córrego do Feijão. Inicialmente, os bombeiros pensaram que era de um homem. Pouco mais à noite, na mesma data, a corporação divulgou que, na verdade, o corpo era de uma mulher.

A respeito do estado dos restos mortais encontrados, os bombeiros enfatizam que isso deve ter ocorrido devido às estruturas de cimento que podem ter contribuído com a preservação do mesmo.