Entre três cidades da região metropolitana de BH, apenas uma vereadora é eleita

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"Precisamos de mais mulheres para poder trazer o olhar feminino e o equilíbrio nas opiniões. A voz feminina é de extrema importância para lutarmos pelos nossos direitos", explica a vereadora Angela Maria. Foto: Arquivo Pessoal.

Mesmo sendo maioria no eleitorado, mulheres ainda seguem com baixa representatividade em cargos políticos

Apesar de representarem um número maior entre os eleitores com o título em dia, as mulheres ainda seguem distantes dos cargos políticos. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Brasil, aproximadamente 148 milhões de pessoas estavam aptas para votar nas eleições de novembro. Desse total, 52%, cerca de 77 milhões, são mulheres e 47,5%, por volta de 70 milhões, são homens. Apesar desses dados, na disputa eleitoral de 2020 – no primeiro turno, foram eleitas apenas 651 prefeitas, 12,1%; contra 4.750 prefeitos; 87,9%. Já para as câmaras municipais, tivemos 9.196 vereadoras eleitas, 16%; contra 48.265 vereadores, 84%. Os dados estão presentes no site do TSE.

No estado de Minas Gerais, Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas elegeram, juntas, apenas uma vereadora. Mérito da cidade de Betim. O município de maior população eleitoral dentre as três, cerca de 274 mil segundo o TSE, escolhe para vereadora Angela Maria (Republicanos), com 2265 votos. Na legislatura anterior, a cidade tinha três vereadoras, uma queda de 66,6% de representatividade feminina na Casa.

Neste ano, na 5º maior cidade da região metropolitana de BH, 128.546, 46,83%, de eleitores se declaram masculinos e 145.995, 53,17%, femininos, ainda assim, diante dos 588 candidatos para vereadores, apenas 193 eram mulheres (30%) e 395 homens (70%).

Conversamos com Angela Maria a respeito da responsabilidade de ocupar uma das 23 cadeiras, representando, além de toda cidade, em especial o público feminino. “Me sinto honrada em poder representar as mulheres, com quem trabalho há cerca de 10 anos em assistência às que sofrem abusos físicos e psicológicos e também as mães. Conheço as dificuldades que elas enfrentam”, disse a vereadora.

Ela ainda comenta sobre a importância da participação da mulher na política. “Precisamos de mais mulheres para poder trazer o olhar feminino e o equilíbrio nas opiniões, apesar de muitas ainda terem resistência, a voz feminina é de extrema importância para lutarmos pelos nossos direitos”, explica.

Angela também destaca como pretende trabalhar nos próximos quatros anos. “As minhas propostas de campanha foram direcionadas às mulheres, lutarei para que elas tenham atendimento específico para saúde, como o tratamento psicológico. Lutarei para ter colégio e creche em tempo integral, inclusão e capacitação das mulheres no mercado de trabalho”, enfatiza. E continua sobre como pretende agir na Câmara. “O diálogo é fundamental para qualquer democracia, tenho certeza que apesar de ser a única mulher conseguirei um bom diálogo com os vereadores”, finaliza.

Legislação

Com a Emenda Constitucional (EC) º 97/2017, que vedou, a partir de 2020, a celebração de coligação nas eleições municipais, estaduais e federais, ficou determinado que no ato do registro de candidaturas à Justiça Eleitoral cada partido deveria, individualmente, indicar no mínimo 30% de mulheres para concorrer ao pleito.

Também, em maio de 2018, o TSE confirmou que os partidos deveriam, já para as eleições daquele ano, reservar pelo menos 30% do Fundo Eleitoral para financiar as campanhas de candidatas no período eleitoral. Mas nem essas iniciativas fizeram com que duas cidades vizinhas de Betim levassem ao legislativo municipal pelo menos uma mulher.

Em Igarapé, com aproximadamente 43 mil pessoas, segundo IBGE, 29.832 estavam aptas a votar de acordo com o TSE, em novembro deste ano. Desse total, 15.360 são mulheres, 51,5%; e 14.456 homens, 48,5%; ou seja, o eleitorado feminino também é maioria, contudo, o município, que contava com 81 candidatas vereadoras, de um total de 243, não conseguiu eleger nenhuma mulher. Anteriormente, em 2016, foram eleitas duas, porém na última eleição apenas homens foram selecionados por meio do voto para ocupar as 13 cadeiras da Câmara Municipal.

Já em São Joaquim de Bicas, dentre os 32.148 cidadãos, 20.015 puderam votar no dia 15 de novembro. Dos quais 10.219, 50,8%; são mulheres e 9.880, 49,1%, homens. Mais uma vez somente os homens foram eleitos para o legislativo.

Dos 155 candidatos a vereadores, na cidade mineira apenas 49 eram mulheres. O município, que não elegeu nenhuma candidata, perdeu a única cadeira ocupada por uma vereadora eleita em 2016.