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    Home»Editorias»Cidades»Vale diz que Rio Paraopeba pode ser recuperado
    Cidades

    Vale diz que Rio Paraopeba pode ser recuperado

    Da Redação FVP6 de junho de 20195 Mins Leitura
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    Rio Paraopeba. Foto: Arquivo FVP.
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    Ainda conforme mineradora, pluma de sedimentos não atingiu o Rio São Francisco

    A Vale afirmou que acredita na recuperação do Rio Paraopeba, atingido pelos rejeitos vazados da barragem B1, rompida em Brumadinho, na mina Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro. Segundo informações divulgadas pela empresa nesta quarta-feira (5), alguns pontos do rio já começam a voltar a condição original, antes da tragédia. A área com maior turbidez concentra-se até 40 quilômetros da estrutura colapsada.

    Segundo a Vale, desde o fim de março o Igam não detecta níveis de mercúrio e chumbo acima dos limites legais. A presença desses metais levou o órgão a proibir a captação da água do rio. Ainda assim, a proibição de mantém como medida protetiva.

    “Diante do que ocorreu, nos compete avaliar corretamente quais são os impactos físicos, biológicos, socioeconômicos e culturais e, então, apresentar e efetivar uma solução. Todos os estudos indicam que o rio Paraopeba pode ser recuperado. Chegou a hora de compensar esse dano”, afirma a gerente-executiva da Diretoria Especial de Reparação e Desenvolvimento da Vale, Gleuza Jesué.

    Além disso, a companhia afirmou que as análises feitas pela mineradora e pelo Igam mostram que a pluma de rejeitos não atingiu o rio São Francisco. O material permanece no reservatório da Usina de Retiro Baixo, em Pompéu, a pouco mais de 300 quilômetros a partir da B1.

    Os dados foram apresentados no Seminário Técnico – Bacias do Rio Paraopeba e São Francisco, realizado no dia 30 de maio em Nova Lima, que reuniu 185 especialistas da Vale, de órgãos públicos e representantes de consultorias ambientais e laboratórios contratados pela empresa.

    Monitoramento

    Atualmente, são 66 pontos de monitoramento, cobrindo uma área de mais de 2,6 mil quilômetros de extensão. Há pontos instalados a montante do rompimento da B1, ao longo do ribeirão Ferro-Carvão, rios Paraopeba e São Francisco até sua foz, no Oceano Atlântico, nos reservatórios das usinas de Retiro Baixo e Três Marias, além dos principais rios tributários do Paraopeba.

    Até o momento, foram realizados aproximadamente 1,4 milhão de análises de água, sedimentos e rejeitos, considerando 393 parâmetros. Além da análise da água superficial, também foram coletadas amostras em profundidade de dois metros. Os resultados são comparáveis às águas superficiais, estando dentro da normalidade.

    Conforme a Vale, uma das certezas de que o rio pode ser recuperado veio dos testes de ecotoxicologia, que medem os efeitos dos elementos químicos em organismos sensíveis a alterações ambientais, presentes ao longo da bacia do Paraopeba e do rio São Francisco, incluindo sua foz. Até agora, foram realizadas 6 mil análises de ecotoxicidadade para água superficial e sedimentos. Os técnicos não detectaram alteração aguda em nenhuma das amostras dos cinco microrganismos analisados em água superficial.

    A toxidade crônica nesses seres vivos, na água, ficou restrita à região do rompimento e aos primeiros 40 quilômetros do Paraopeba. Está relacionada, principalmente, a presença de sólidos em suspensão. Já em relação ao sedimento, os resultados apontaram toxidade crônica em 62% das amostras ao longo de todo o rio, incluindo pontos a montante da B1 e a jusante da Usina Hidrelétrica de Três Marias, locais não afetados pela pluma. Estudos em animais domésticos e culturas agrícolas que se encontram no entorno do rio e que tiveram contato com a água estão em desenvolvimento.

    As maiores concentrações de metais estão correlacionadas ao posicionamento da pluma de rejeito, sendo predominantemente nos primeiros 70 km a partir da Barragem I. Foram verificadas, porém, reduções nas concentrações dos metais em água nos últimos meses.

    Os resultados mostraram ainda que, mesmo sem a presença de qualquer influência do rejeito, os técnicos encontraram metais pesados no sedimento acima dos limites legais a jusante do reservatório da Usina de Três Marias.

    Em sua apresentação no seminário técnico, a diretora do Igam, Marília Carvalho de Melo, disse que, atualmente, o órgão mantém 14 pontos de coleta ao longo do rio Paraopeba até Três Marias. Ela pontuou que a presença de metais pesados – chumbo e mercúrio – foi observada nos primeiros 40 quilômetros a partir da barragem. Desde 26 de março, porém, não há mais registro pelo órgão de ocorrência desses metais acima dos limites legais.

    “Atualmente a situação é bem diferente do primeiro período. Os dados mostram isso, mas claro que ainda por medida de segurança, e aí temos ações e decisões que são preventivas, continuamos com os usos da água do rio suspensos. Há uma tendência, realmente, de recuperação e da possibilidade de utilização a médio prazo do rio Paraopeba”, afirmou Marília.

    São Francisco

    Os estudos da Vale e do Igam mostram que a pluma de rejeitos permanece no reservatório da Usina de Retiro Baixo, em Pompéu, localizada em uma região do Paraopeba anterior à usina de Três Marias e ao rio São Francisco. “O Igam incluiu três pontos de monitoramento no reservatório de Três Marias, porque foram veiculadas algumas informações de que a pluma havia chegado no rio São Francisco, mas nossos dados não demonstraram isso”, afirmou diretora do Igam no seminário.

    A previsão dos técnicos da Vale é de que os sedimentos provenientes do rompimento da barragem não atinjam o rio São Francisco. Isto porque, ainda que com aproximações preliminares conservadoras, do total de rejeitos aportados ao rio Paraopeba, cerca de 77% ficarão retidos no reservatório da usina de Retiro Baixo e os outros 23% no reservatório da hidrelétrica de Três Marias. Ambos reservatórios possuem ampla capacidade de retenção do sedimento.

     

    Cidades IGAM Meio ambiente Recuperação Rio Paraopeba Vale

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